sortie-de-secours

Sabemos que o modelo de negócio que sustentou o jornalismo no século XX já se extinguiu, para dar lugar a algo de profundamente destruidor do jornalismo: o chamado “jornalismo do cidadão”, que, a existir, transformaria em jornalistas todos os cidadãos, incluídos os mais empreendedores que viram nessa terra-de-ninguém (que deriva de uma confusão deliberada entre jornalismo e comunicação) uma oportunidade de negócio.

Atendendo a que o mercado publicitário investe sobretudo em conteúdos populares, exigindo milhares de views para colocar na Rede os seus diferentes produtos de grande consumo, isso significa, na escala global em que nos inserimos, que uma publicação com verdadeiro interesse jornalístico sofre à partida uma desvalorização sem relação com o seu valor real. Por essa razão também, o velho modelo de negócio não é compatível com as necessidades implicadas pela produção de informação de qualidade e independente dos interesses económicos e outros.

Sucedendo ao modelo assente na publicidade, vemos emergir (ainda tímido, por falta de pensamento sobre ele e know-how) o modelo por subscrição paga. Porém, apesar de haver já alguns bons exemplos no Mundo, o novo modelo só vai vingar quando os investidores em publicações feitas por jornalistas profissionais compreenderem que não devem competir com os actuais produtores indiferenciados de conteúdos de informação. Designadamente circunscrevendo-se ao papel de agregadores de notícias. Notícias muito vezes não-confirmadas (fazendo tábua rasa das práticas próprias e necessárias ao jornalismo), embora reproduzidas em toda a parte, colaborando dessa forma para a desinformação generalizada. Um exemplo do que digo aqui.

O modelo por subscrição é o único capaz de garantir a independência do jornalismo, assegurando o financiamento das despesas com o próprio jornalismo – uma vez que a reportagem e a investigação constituem os géneros mais dispendiosos, o que, aliás, explica parcialmente o desinvestimento em jornalismo a que temos vindo a assistir desde o advento da Era digital.

Será pois necessário (e até mesmo urgente) investir em jornalismo, de nicho ou generalista, pago pelos seus subscritores e realizado por profissionais e apenas – considerando-se ser esse o único modelo capaz de enfrentar o mercado mundial, tornando os projectos auto-suficientes, e, desse modo, protegendo-os da actual extrema desregulação e volatilidade a que está sujeito o comércio de informação na Internet (pois disso se trata quando não é jornalismo).

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