cartaz 19 MTA

Blaise Cendrars escreveu Contos negros para os filhos dos brancos nos anos 1920, fazendo de África um território como ainda não se tinha visto na Europa colonial da época. Os homens, que são iguais, insistem em não querer ser iguais. Iguais entre si, mas também iguais aos outros seres vivos, muito embora transportando cada um a alteridade de que é feita toda a vida. Como mostrar às crianças a igualdade intrínseca dos diferentes que o tempo e o espaço reúnem na cadeia da existência de todas as coisas do Mundo? No teatro, por exemplo. Foi o que procuraram fazer Lavínia Moreira (dramaturgia) e Laurinda Chiungue (encenação), que também interpretam, com uma muito feliz colaboração musical ao vivo de Teresa Gentil, tudo isto enriquecido por incríveis adereços e marionetas criados por Delphim Miranda.

Momento alto desta edição da Mostra de Teatro de Almada, Contos negros para os filhos dos brancos estreou a 24 de Novembro no Teatro-Estúdio António Assunção, perante uma plateia constituída por cerca de uma centena de crianças, nesse dia subtraídas às escolas almadenses para ver um espectáculo de teatro que brevemente as levou aos melhores lugares mentais da infância: a imaginação, a fraternidade, a coragem, o prazer da música, o riso. Teatro de texto – texto maior -, exemplarmente trabalhado com criatividade, poesia e humor, Contos negros para os filhos dos brancos demonstra a que ponto nos livros dos escritores e dos poetas – por vezes nos menos conhecidos – habitam espectáculos de teatro à espera de quem os saiba encontrar e decifrar os porquês. Um espectáculo que na minha opinião merece uma carreira à altura da sua qualidade. Bravo, Teatro ABC.PI!

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