cartaz 19 MTA

Decorre desde o passado dia 12 a Mostra de Teatro de Almada. Não vi o espectáculo de abertura, O Grito, de Herberto Helder, pel’O Grito, por ter ido ver nessa noite, ao CCB, a estreia do espectáculo deste ano da Companhia Maior – um projecto com que tenho afinidades electivas, e cuja caminhada (cinco anos nesta data) tenho seguido de perto.

Sobre o primeiro espectáculo que vi daquela que é a 19ª edição da Mostra, A Festa, abstenho-me de dizer aqui mais do que o que escrevi na sinopse disponibilizada no programa da Mostra. Fui a responsável pela sua construção dramatúrgica, naquela que foi uma reedição de uma parceria colaborativa com Joana Sabala, que assinou a encenação. Estou, por essa razão, demasiado envolvida para ter distância crítica.

Vi Beremiz na Terra Plana (um texto a partir de autores tão diversos – também entre si – como Clarice Lispector, Millôr Fernandes ou António Cabrita), num espectáculo pelas Produções Acidentais, com dramaturgia e encenação de Luzia Paramés. Prioritariamente dirigido às escolas e à pedagogia da Matemática e da Geometria, nada nessa sua natureza o tornou menos relevante para um público adulto. Peça sensível, habitada de uma ponta à outra pela poesia, e sustentada num texto bem entretecido e recurso a bons materiais plásticos e musicais. Sobre o actor João Dacosta, que faz as despesas do espectáculo, achei-o competente, seguro em palco, capaz de interagir empaticamente com o público, e, mais importante, luminoso.

Vi também Twisted Swan, uma criação de Maria João Garcia e Rodrigo Miragaia para o Ninho de Víboras. Música (poderosa) de Carlos Zíngaro, com interpretação de Francisca Santos e Joana Bergano, tanto quanto sei bailarinas. O espectáculo teve lugar numa antiga sala de aula da Escola Conde Ferreira, edifício desafectado ao ensino onde muito do que acontece no teatro amador e na formação teatral em Almada se experimenta. Dialogando com essa razão, a performance, de carácter vincadamente experimental, dificilmente cabe na caixa catalogadora do teatro. Não por ser totalmente ausente de texto, mas por se situar numa grandemente indefinível fronteira criativa, seguramente mais habitável pela dança contemporânea. Muito bem iluminado, tirando grande partido do espaço decadente da sala, vi Twisted Swan como um objecto essencialmente plástico e musical.

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