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(c) Martin Bureau/AFP 2012

Em França ainda há jornalismo. Esta manhã, Marine Le Pen mentiu relativamente a propósitos impossivelmente atribuídos a Christiane Taubira, a ministra da justiça de França. Segundo Le Pen, Taubira teria dito que “é preciso compreender os jovens que partem para a Síria”. Questionada sobre a origem de tal declaração pelo jornalista Patrick Cohen, Le Pen jurou que Taubira era a sua autora.

Posta perante a evidência de não ter sido assim, pela reescuta em directo da referida declaração de Taubira (em que na verdade disse que “é preciso compreender as causas que levam a que os jovens partam para a Síria para melhor os combater”, Le Pen engasgou-se um pouco e, para disfarçar o incómodo de ter sido apanhada a mentir, começou por dizer que aquela emissão parecia um tribunal, acabando pouco depois por abandonar o estúdio radiofónico da France Inter (saída abrupta e evidentemente mal-educada, de que não há imagens por ter ocorrido durante o intervalo para compromissos publicitários).

Recorde-se que Le Pen defende o confisco da dupla nacionalidade aos árabes e outros estrangeiros integrados na sociedade francesa e considerados potencialmente perigosos – uma ideia com que agora também Hollande concorda – e a recuperação do controlo das fronteiras do território francês, quanto a este último um argumento muito questionável, atendendo à relativa irrelevância das fronteiras físicas no combate a um fenómeno que assenta numa doutrinação que age indiferenciadamente sobre radicais que se encontram em toda a parte, vasto grupo também composto por jovens cidadãos franceses aparentemente integrados.

[Mais informação sobre a entrevista desta manhã de Marine Le Pen à France Inter aqui]

[Aqui a entrevista a Christiane Taubira, realizada nos Estados Unidos em Fevereiro de 2015, na sequência da matança no jornal satírico francês Charlie Hebdo]

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