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(c) Bruno Simão

«A força é a máquina da fúria em solidão» (Iva Delgado, uma das actrizes da Companhia Maior).

Eles são dezoito e têm muita força, talvez toda a força que importa: a força de uma razão que apenas o tempo gera, a força da sabedoria, a força dos silenciados pela sociedade do juventismo, a força dos abandonados pelos poderes, a força dos que sabem que não existe a segurança, que não existe a estabilidade, que não existe a certeza, dos que sabem que o conforto não resolve a inquietação, dos que sabem que em vez de enfiar as sombras para debaixo de um tapete de esmagar o passado mais vale preparar-lhe um banho de imersão e depois secá-lo com um secador de cabelo, dos que sabem que apesar de quase todos os comboios serem máquinas de levar homens para a guerra, é preciso ainda assim ir à estação e por vezes apanhá-los, enfim, dos que sabem, e de quem muitos não querem saber. Na farmácia tratam-nos por “meu amor”. Mas eles não são o amor da vendedora de medicamentos paternalista, a querer infantilizá-los com palavras de um mesmo falso afecto. Eles são o amor da Vida, vibrante nos seus corpos resistentes à metamorfose contínua que todos somos. Adoro-os. Vão vê-los se puderem.

FORÇA, de Filipa Francisco
pela Companhia MAIOR
CCB, Pequeno Auditório
12, 13 e 14 de Novembro às 21h00
15 de Novembro às 16h00

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