Domingo 22 de Junho de 2014 não ponho o lenço de ir à guerra. Lá fora na rua passam grupos de rapazes com packs de cervejas na mão, a atmosfera exala a esperança nacional, às onze retoma a guerra. Um pouco antes das 23h00 abro a página da RTP para ver o jogo Portugal/Estados Unidos em streaming. Minutos depois de começar a partida a página deixa de funcionar. Na zona de comentários, os portugueses espalhados pelo Mundo (entre os quais se contam os que estão no território e veêm tevê via Internet) depositam insultos e pragas à RTP, Portugal e a RTP transformam-se numa e na mesma coisa – coisa improvisada que subitamente ninguém tolera, sem estratégia nem visão (nem tecnologia), de serviço público sem qualidades –, e alguns deixam endereços alternativos onde a emissão via Internet não dá o berro e se pode ver a guerra do princípio ao fim.

Assim acabo a ver o jogo num site norte-americano, com comentadores norte-americanos a dizer os nomes dos jogadores da selecção portuguesa em inglês e a dar vivas quando os norte-americanos goleiam. Tudo bem, gosto sempre de ver as coisas noutra perspectiva, reparo que respeitam Ronaldo (Christiano), e pelo menos naquele site o streaming funciona independentemente do tráfego. Funciona o streaming e funciona o jogo dos norte-americanos – nem tanto assim jogado mas o bastante para os portugueses mortiços e pouco jogadores, que têm espelhado no Brasil aquele «deixa-andar que logo se vê» que já não se aguenta, aquele «fia-te na Virgem» que «há-des» ganhar a guerra, mas pelo sim pelo não o melhor é ires buscar aquela «estátua fluorescente da Virgem Maria que [te] dá confiança e brilha à noite».

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