vian

Uma vida em forma de espinha com uma viagem vertical lá dentro, para fazer sem baixar a guarda, na verticalidade do caminhante bípede obstinado em elevar-se pelo caminho, isto é, através da própria caminhada, asas a crescer na rectidão desse aspirante a uma vida em forma de nós, essa vida brevemente pousada num pratinho azul como uma borboleta no meu espírito, areia a fugir pelos meus dedos, cabelos despenteados, pedrinhas dispersas pelo caminho, pista alguma, a estrada sempre nova, infinitamente a começar.
(a partir do poema de Boris Vian Je veux une vie en forme d’arête, 1952)

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