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Uma aula no Liceu de Camões (Lisboa) em 1958

PSD, PS, PSD, PS, e CDS com um e outro, em momentos diferentes. Assim tem sido, desde o «novo regime», esta alternância sem surpresa nem qualidades: socialistas (antes fossem) e social-democratas (antes fossem) têm partilhado o poder em Portugal e distribuído como entendem as «riquezas» a que alternadamente têm tido acesso. Por isso mesmo – e por muito que isso custe aos mais à esquerda do PS e sobretudo aos que pretendem colher votos com essa estranha espécie de oposição sem futuro que dedicam ao parceiro de alternância – terão mesmo de entender-se nalgum ponto.

Ambos são responsáveis (e não apenas o PS, como a propaganda demagógica da actual coligação governativa não se cansa de repetir, para grande exaustão do povo que bem os topa) pela falência do Estado pela qual pagam hoje os mais fracos, os mais pobres dos pobres: os utentes do SNS, os pensionistas a quem retiraram a quase-totalidade do Complemento Solidário (que na sua criação se destinava a compensar  – a complementar – os demasiado parcos montantes das pensões de velhice), os deficientes, a generalidade dos que precisam dos serviços públicos, e também os estudantes universitários oriundos de famílias com poucos recursos (entenda-se de sobreviventes da devastação que tem levado outros a partir), a quem o actual Governo nega bolsas de estudo por carência económica (entenda-se por incapacidade financeira dos próprios e das suas famílias para pagar as propinas altíssimas que têm vindo a tornar o ensino superior um assunto de riquinhos outra vez).

E será por aqui, pelo desinvestimento público na Educação, e designadamente na Educação universitária, através do aumento gradual das propinas de acesso às faculdades e do afunilamento dos critérios para a atribuição de bolsas, que o fosso da desigualdade se acentuará de forma algum dia novamente intolerável. Será esse porventura o custo maior da corrupção endémica pela qual os mais pobres entre os pobres pagam desde a chegada da Troika a Portugal e da emergência de um governo «disciplinador» dos fracos e sem pingo de memória histórica social.

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