Lotus_014
© António Júlio Duarte

Há qualquer coisa entre mim e a Fotografia, forte, e misteriosa, e natural. Algo me propulsa para a Fotografia e para os fotógrafos, e não é apenas o facto de ser uma jornalista que vem da imprensa, e não é apenas a circunstância de me ter feito repórter n’O Independente, lugar mental complexo onde a Fotografia portuguesa renasceu, se é que não nasceu ali mesmo, no final dos anos 80 do século XX, tardiamente para algo antigo de então 150 anos, a que até à data ninguém em Portugal ligava grande coisa. Sem poder alongar-me sobre o tema,  sempre deixarei aqui registo de uma série documental que vai começar na RTP2 daqui a dias, e cujo primeiro episódio é dedicado a António Júlio Duarte, fotógrafo do que habitualmente não se mostra (das arenas de boxe, das feiras de sexo, dos depósitos de velhos, dos desencarceramentos de corpos na estrada, da ocidentalização do Oriente, etc.), isto é, dos bastidores sem glamour da vida dos homens, dos arrabaldes desordenados do mundo edificado e abandonado por eles, da predação humana chamada civilização (ou desenvolvimento?), que ele encosta à parede e captura, com a urgência do documentalista e a poesia crua do artista maior que é desde há muito.

Anúncios