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Aquis submersus, Max Ernst (1919)

Reduto, ilha, bastião, eis palavras que, sem procurar muito, definem o que representa a Antena 2 para os seus ouvintes. Enquanto outras rádios se entregam àquele loop infernal que vai das parangonas da desinformação global à música da playlist que não se aguenta, para de novo voltar pressurosamente às parangonas da aflição vertiginosa, na Antena 2 respira-se fundo, conversa-se com músicos, cantores, historiadores, poetas, ouve-se jazz, e poesia, e Luís Caetano a ler como só ele pode passagens da melhor literatura – para além, naturalmente, da chamada «música clássica», ou melhor escrevendo: erudita, para distingui-la da popular, mas também para não reduzi-la ao classicismo musical, e o mundo tem realmente uma outra forma se ouvido e imaginado dali, do posto de escuta da Antena 2 onde, ao contrário de alguns, não vejo uma Emissora Nacional encapotada, antes essa ilha de erudição onde os espíritos curiosos podem ir dar umas braçadas e, se for caso, disso ficar por lá durante vários dias e a todas as horas, até que por exemplo alguém diga basta! e mude para a Radar, onde também se está bem, embora diferentemente.

Faltar-lhe-ão qualidades do ponto de vista do serviço público a que está obrigada, sem dúvida, mas mesmo assim a Antena 2 permanece um refúgio de beleza e de elevação na paisagem mediática do pequeno mundo sem horizontes nem fronteiras em que vivemos.

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