Relações de poder, eis o que melhor resume e define as praxes académicas. Quem praxa já foi praxado, quem é praxado quer vir a praxar. Um caloiro sujeita-se às praxes para poder sujeitar outros mais tarde. Apenas isso explica que tantos estudantes (dizem-me que cada vez mais) encarem com naturalidade as praxes. Os seis jovens estudantes universitários que morreram no Meco há semanas entraram na zona de rebentação de uma praia perigosa a sonhar com a superação de uma prova iniciática que lhes conferiria mais tarde um poder: o de submeter outros, o de sujeitá-los a um poder discricionário cuja sobrevivência na nossa sociedade demonstra a que ponto a barbárie (disfarçada de boa tradição) prevalece sobre a civilização. Uma boa compilação de notícias sobre esta tragédia aqui.

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