Angelo Giuseppe Roncalli, o Papa João XXIII (1958-1963), que tantos por estes dias evocam a propósito dos modos e dizeres do Papa Francisco, passou certa vez por um operário do Vaticano, a quem se dirigiu (ao arrepio daquele que a sua entourage de conselheiros considerava ser o melhor comportamento para um Papa) para lhe perguntar como ia a vida. O homem respondeu-lhe que ia mal, disse-lhe qual era o seu salário e falou-lhe das bocas que tinha em casa para alimentar. João XXIII disse ao homem que isso teria de ser alterado e que ele, o Papa, tinha felizmente o poder de fazê-lo. Quando no Vaticano lhe disseram que tal aumento da despesa só  poderia ser realizado à custa de um corte nas obras de caridade, o Papa respondeu que sendo assim era o que teria de ser feito, «porque a justiça está antes da caridade.»

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