ctt

A alienação dos CTT, empresa pública rentável ao Estado, com lucros consideráveis (45,2 milhões de euros no terceiro trimestre de 2013) é uma das operações de privatização que maior resistência tem gerado na sociedade portuguesa. Símbolo de uma regionalização prática da administração pública, por via dos inúmeros serviços prestados aos cidadãos de todos os lugares de Portugal, os Correios que D. Manuel I criou em 1520 estão à beira de desaparecer. Assim age um Estado (capturado pela troika com a colaboração do Governo Passos-Portas) empenhado em gerar receitas rápidas (o encaixe de 70% dos CTT poderá atingir os 580 milhões de euros) e em entregar nas mãos de privados os melhores negócios públicos, mesmo se ao custo humano de abandonar à sua sorte, esquecimento e miséria muitas populações do País.

Beneficiando desde 1821 de um serviço de distribuição domiciliária do correio, também os habitantes de Lisboa não poderiam jamais ver com bons olhos esta privatização que, embora ainda não concretizada, tem já vindo a prejudicar ao longo dos últimos muitos meses, reduzindo a entrega de correspondência postal ao mínimo, em detrimento da entrega diária que anteriormente os CTT asseguravam – alteração que decorre certamente da redução de trabalhadores, mas também, necessariamente, do objectivo de “eficácia financeira” a que a lógica de mercado está a obrigar este serviço público de enorme importância e forte significado simbólico para os portugueses. Mas lá está: para os actuais governantes, gestores-delegados da troika de um país que administram como uma empresa, os símbolos nada são. Dir-se-ia que apenas conhecem os ícones informáticos e os logótipos empresariais.

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