Um ameaça: cuidado quando saírem do Governo. Outro grita: traidores, hão-de ser julgados. Um outro ainda exorta a História, lembrando o que aconteceu em 1 de Dezembro de 1640. Uma senhora desesperada chora, diz que na família dela são já três os desempregados, conta que uma irmã sua se suicidou por não ter maneira de viver, chama assassinos aos governantes. Outra pergunta: onde é que estão os homens deste país? será que vão ter de ser as mulheres a pegar nas armas? Insultam, agridem, desabafam, apelam à insurreição, é a catarse que, em muitos casos juntamente com os antidepressivos genéricos (que os médicos clínicos gerais lhes dão para que cerrem os dentes e engulam a realidade abjecta), assegura a sua sobrevivência: mais um dia de sofrimento e perplexidade, no desequilíbrio horroroso da incerteza.

O moderador bem tenta moderá-las, mas as palavras dos participantes que telefonam para o fórum da rádio pública saem-lhes enfuriadas, agressivas: na medida da agressividade que sofrem na pele das suas vidas, destruídas por quem não vê neles pessoas. Hoje sabem: se comparada com aquela das empresas e do Estado, a taxa de esforço das famílias portuguesas tem assegurado a maior parte do bolo austeritário. Ninguém acredita no “milagre económico”, o que quer que os governantes digam não colhe junto do povo. Detestam Pedro Passos Coelho, odeiam especialmente Paulo Portas, a quem dirigem aqueles que serão porventura os piores insultos, e não suportam mais que Cavaco Silva seja o Presidente da República que é. Esta manhã na Antena Aberta na Antena 1, a convulsão social que aí vem.

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