TrumanCapote1959
© Roger Higgins, 1959

Truman Capote estava certo: a realidade soçobra, há nela muito mais ficção do que podemos suportar. Truman Capote, que era um jornalista, bem sabia que é assim, apesar de ter dado rédea solta a esse demónio de fraqueza humana que o levou a manipular a realidade para servir a escrita de A sangue frio. Esse diabólico, a que uns sorridentes chamam ambição, querendo dizer aspiração e sede de futuro, mas em que só vejo ganância, muito desejo de muito sucesso, de ascensão social, de abundante liquidez para sempre, e de poder, claro, essa força de usar e de abater os outros. Assim morreram aqueles dois ladrões que a miséria humana fez assassinos, na forca da pena de morte do Kansas que Truman Capote, o jornalista, poderia ter decisivamente contribuído para transformar noutra coisa, salvando pela mesma ocasião o escritor que depois desse livro definhou.

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