Homem sem dúvidas, voluntarioso nas sentenças (que enuncia do alto do seu empirismo bancário), cruel o banqueiro declarou: o povo aguenta mais miséria – guincha mas aguenta. Vede os gregos, como eles aguentam – protestam, partem montras, mas ainda estão vivos. Sacripantas furiosos! Serve-lhes de muito, a fúria, hão-de pagar com o lombo, que é para aprenderem a aguentar sem fazer estragos.

Homem clarividente, o banqueiro sabe tudo e tudo antevê – assim são os que não se enganam jamais, e muito especialmente sobre a vida e a tolerância dos outros, essa generalidade de fracos de espírito agarrados a sonhos (são os próprios que o dizem), acreditando que podem mudar o Mundo. Sabem lá eles o que é o Mundo, pensa o banqueiro enfiado nas suas experiências bancárias, estéreis como todo o ouro, poderosas como só ele.

Homem-oráculo, o banqueiro sentenciou, e a bom entendedor qualquer letra miudinha serve.

Anúncios