Na noite da tua morte
pediram-me que fosse
um anjo indeterminado
num teatro sem cortinas
nem consolo.

Acedi, e já pela manhã,
recordei-te sentado no Piolho
a fugir daquelas tardes erradas
a cair-nos aos dois,
ou então caminhando
pequenas estrofes
pelo Porto que me ensinavas,
e depois reganhando a casa
onde todos aqueles versos
incoincidentes te esperavam,
no silêncio aprumado
antes
do poema.

Na morte de Manuel António Pina (19.10.2012)

 

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